A VIDA É UM SOPRO

O que aconteceu com todas essas pessoas que estavam ocupadas? Foram surpreendidas quando tentaram regressar aos seus países e não conseguiram. Ficaram frustradas porque esperaram longos dias pela viagem dos sonhos que não vai mais acontecer. Estão confusas porque seus filhos não têm aula, mas não estão de férias (como assim?). Pior: estão perplexas e paralisadas diante de um vírus que se espalha rápido pelo planeta – não sabemos ao certo como surgiu, não temos remédio pra combater, não temos estratégia de prevenção, não há um segmento da sociedade que esteja imune, e o vírus mata.

Começou como virose; depois virou surto, epidemia, pandemia, praga, peste, juízo final… Estava longe, mas chegou perto, mais perto e agora bate na porta da nossa casa. Parece coisa bíblica, como se o anjo da morte chegasse de madrugada pra levar nossos avós, pais, filhos e amigos. Está aqui e agora.

O vírus não tem cor, etnia, classe social nem confissão de fé. Políticos, jogadores de basquete, músicos, professores, médicos, não importa. Todos correm perigo. Eu mesmo, que estou aqui escrevendo… Esse pode ser o meu último texto. Qual é a grande constatação? Tudo o que planejamos, pensamos, imaginamos e conhecemos vai mudar.

A VIDA É UM SOPRO. Muitas pessoas vivem como se nunca fossem morrer, outros morrem como se nunca tivessem vivido. Um dia você está beijando e abraçando uma pessoa, no outro você pode estar dizendo adeus, e tudo que restará serão somente as lembranças. Quantos de nós passamos a vida toda lutando, batalhando por um futuro melhor, uma vida melhor. Estipulamos data e lugar marcado para sermos felizes e realizados. Lutamos por causas que não são as nossas, lutamos por dinheiro, por status, por posições, enfim – parece que estamos vivos, mas não estamos.

Esquecemos de um detalhe: o futuro não existe. Porque quando ele chega, já é hoje. Portanto, tudo o que temos, temos agora; o que somos, somos agora, e o amanhã pode nunca chegar. A pandemia chegou para nos lembrar que a vida é um sopro, liquida, rápida, “injusta” (por que não dizer?), surpreendente…

“O homem (…) brota como a flor e murcha.
Vai-se como a sombra passageira…” (Jó 14.1,2)

ALGUMAS PERGUNTAS PARA HOJE
O que temos feito com familiares e amores?
Onde foram parar os amigos e a conversa fiada?
Há quanto tempo não aproveitamos os dias com prazer?
Há quanto tempo não abraçamos os nossos pais?
Há quanto tempo você não diz “EU TE AMO”?

O que eu acho? ACREDITO SINCERAMENTE que este tempo vai passar, mas a experiência com a pandemia vai deixar suas duras marcas na sociedade. Depois da tempestade, simplesmente voltaremos às rotinas como se nada tivesse acontecido, ou vamos ressignificar a vida pra que ela volte a valer a pena?

De repente, o verso do Legião se tornou canônico:

“É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar pra pensar
Na verdade não há…”

@professorleclerc