Muito se fala sobre liderança… Sobre como conduzir organizações; sobre como podemos guiar pessoas, aconselhar famílias, formar novos líderes, despertar jovens, apontar para uma direção. Este é, com certeza, um dos temas preferidos de igrejas, pastores, líderes e comunidades de fé. Temos congressos, workshops, coaching… Aparentemente, temos tudo.

Contudo, surgem as perguntas:

Como é possível liderar alguém e apontar caminhos sendo uma pessoa (uma instituição) que permanece absolutamente “presa” em si mesma? “Presa” a velhos paradigmas de forma IMUTÁVEL, sem considerar possibilidade de mudança, sem ouvir o outro, sem observar o mundo ao redor?

O nome disso é anacronismo – total falta de alinhamento com o nosso tempo.

Esta é a marca da pobreza intelectual, definindo a pessoa como um ser obtuso, ultrapassada e obsoleta. Claramente “aprisionada” a partir de conhecimentos obtidos, de uma experiência vivida, a pessoa estaciona em sua própria “descoberta”, e nada que tenha surgido, mais interessante ou novo, passa a ser observado.

Você consegue imaginar uma datilógrafa que despreza redes, computadores e internet? Ou um cirurgião resistente a tecnologia da medicina contemporânea? Não… Acho que não. Então como é possível ocupar cargos de liderança e conduzir grupos em pleno século XXI convivendo com princípios que foram enraizados a partir das experiências passadas?

1. POR QUE UMA LIDERANÇA SE TORNA ANACRÔNICA?

1) Ignorância… Seja por fatores congênitos (incapacidade de aprendizado) intelectuais (falta de estudo), ou morais (falta de disposição para evoluir no pensamento lúcido do estudo).

2) Orgulho… Porque é importante demais para ir atrás, é vaidosa demais para reconhecer que errou e, principalmente, para perdoar. Errar com ela é um ultraje que não cabe desculpas, mas quando é ela quem erra o problema é menor… Joga e nunca paga para ver…

3) Falta de amor… Falta reciprocidade. Falta calor humano nos dias escuros e palavras de carinho nas fases solitárias. Sobra ego inflamado e intolerância desmedida. Sobra a diferença entre as pessoas. “Ser diferente é normal”, ensinam… Isso assim não dá. Falta pensar o mundo além do próprio umbigo. Falta enxergar o outro. Falta amar a igreja, amar a Cristo, amar os irmãos.

2. O QUE UMA LIDERANÇA ANACRÔNICA PRODUZ?

1) Tédio… Solidão, tristeza sem causa, raiva descontrolada, insatisfação constante, ressentimento profundo — dores que se traduzem em sentimentos, que atribuímos a outras pessoas, a problemas que não são nossos, a realidade do tempo, a uma ou outra imperfeição do mundo exterior.

2) Fraqueza… Espiritual e Teológica. Espiritual porque perdemos a vontade de orar, de cantar, de ler, de pensar, de adorar, de ir à igreja, de participar da Escola Bíblica e, sobretudo, de servir. Teológica porque perdemos totalmente o “link” com a realidade. Nossas perguntas são antigas, as respostas são inconsistentes e os olhares são deslocados. E assim temos uma multidão de crentes que se torna inútil para Deus em sua própria geração.

3) Morte… Porque não há futuro nem esperança. Não há projetos, nem alegria, nem brilho nos olhos. Não há vocacionados, nem desafios, nem barreiras pra superar. Apenas o mais do mesmo. As mesmas canções, nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas… Não há gravidez. Não há ansiedade do risco nem o medo do perigo… Nem o frio na barriga, nem ansiedade por tempos melhores.

3. O QUE DEVEMOS FAZER?

Precisamos de novos olhares, de novas condutas, de corações abertos e corações pulsantes. Porque Deus é maravilhoso, eterno e sua Obra não tem fim. O que vamos fazer? Ficar olhando pro tempo? “Quem observa o vento não plantará; e quem olha para as nuvens não colherá” (Eclesiastes 11:4).

Então… A minha sugestão é: mude. MUDE AGORA.

Mudanças são positivas quando estão na direção de descobrirmos e colocarmos em ação novas formas de ser e de estar no mundo. Mudanças são o oposto do estagnado, da poeira varrida para debaixo do tapete… Mudanças são o avesso do vazio. Mudança é coragem, novas perspectivas, reinvenção de nós mesmos e de nossas vidas, recriações de novas posturas, de novas visões da vida e de novos pensamentos e sentimentos, novos arranjos da música.

4. POR ONDE COMEÇAMOS?

Enfrente… Enfrente-se. Porque o enfrentamento, que é o próprio começo da mudança, gera conflitos, crises, dúvidas e, muitas vezes, vontade de permanecer no mesmo lugar. Mas se conseguimos ir além, quebrar a resistência, enfrentar angústias e crises, o medo do novo… surgirão os novos direcionamentos, as novas visões e as novas possibilidades.

E observe o que está acontecendo ao seu redor. E você se surpreenderá com Deus e sua Graça. Ficará perplexo ao perceber que as coisas estão acontecendo, e que o amor do Senhor está triunfando sobre toda a injustiça.

Leia… Leia muito.
Ouça… Ouça as pessoas.
Alinhe-se com o seu tempo.
Prepare-se com toda a disposição.
Trabalhe com alegria e com serviço.
Procure os que são vocacionados..
Coloque a sua cabeça pra funcionar e mude.
Mudança é vida.

 

Professor Leclerc